Mostrar mensagens com a etiqueta ode. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ode. Mostrar todas as mensagens
terça-feira
Haverá algo mais frágil
do que o cristal?
É o mais frágil para mim
pois é precioso e belo
transparente e meticulosamente perfeito
Trato dele com carinho
Ponho-o na cristaleira
exposto a contemplar.
Mostro-o ao mundo.
Porque o cristal tem mais valor
quando nele atribuímos valor,
qualquer que seja até o da fragilidade.
tipo de pista
definições,
ode
quinta-feira
Memória do dia

me importa un pito que las mujeres tengan los senos como magnolias o como pasas de higo; un cutis de durazno o de papel de lija. Le doy una importancia igual a cero, al hecho de que amanezcan con un aliento afrodisíaco o con un aliento insecticida. Soy perfectamente capaz de soportarles una nariz que sacaría el primer premio en una exposición de zanahorias. en esto soy irreductible! no les perdono, bajo ningún pretexto, que no sepan volar. Si no saben volar pierden tiempo conmigo.
El lado oscuro del corazón
tipo de pista
Memorias dum Rostro,
ode
segunda-feira
Queres que te escreva?
Escrever-te-ia no pó solto
Mensagens preliminares de sentimentos raros
Não deixes o vento leva-los.
Não quero que os leve.
Se não quiseres guardar ,devolve-mos outra vez
Servirão noutras ocasiões
Com vestido e sapatos a condizer
Azuis ou verdes, azuis esverdiados
Como mares perdidos
Onde a terra não se ergue perante o mar
Onde tudo é difícil de encontrar
nem um caleidoscopio nos faz rumar a norte
Não nos vamos perder mais
Não agora,
Que tudo parece resolvido
Sóbrio e ténue .
-não tem de ter sentido
-às vezes quero coisas que façam sentido.
-basta que as coisas se juntem bem e fiquem” bonitas”
Este texto foi surgindo no meio duma conversa que devia ser publicada. Mas como ele nao quis...
Obrigada E. és inspirador ahaahah e psicadélico (?)
Escrever-te-ia no pó solto
Mensagens preliminares de sentimentos raros
Não deixes o vento leva-los.
Não quero que os leve.
Se não quiseres guardar ,devolve-mos outra vez
Servirão noutras ocasiões
Com vestido e sapatos a condizer
Azuis ou verdes, azuis esverdiados
Como mares perdidos
Onde a terra não se ergue perante o mar
Onde tudo é difícil de encontrar
nem um caleidoscopio nos faz rumar a norte
Não nos vamos perder mais
Não agora,
Que tudo parece resolvido
Sóbrio e ténue .
-não tem de ter sentido
-às vezes quero coisas que façam sentido.
-basta que as coisas se juntem bem e fiquem” bonitas”
Este texto foi surgindo no meio duma conversa que devia ser publicada. Mas como ele nao quis...
Obrigada E. és inspirador ahaahah e psicadélico (?)
quarta-feira
foto daquiEstou farta do tempo
não ter tempo para mim
estou farta das desculpas do tempo
para não ter tempo
e eu, agora, culpo a vontade
porque gosto de limpar o pó
e não deixa-lo acumular
para fazer alergia à pele
comichão, inflamação das vias respiratórias
recorramos então à cortisona
que já nem funciona
num sistema qualquer viciado
são cartas dadas num baralho conhecido
não passa disso
Tambem escrito em Dezembro e encontrado hoje juntamente com o anterior quando estava a abrir o caderno ahahah as coisas que se descobrem
tipo de pista
descobertas,
ode
Foto daquiCheira mais a morte do que num cemitério
Provavelmente andam moribundos por aí
Sabemos mais três coisas do que ontem
Esquecemos de muitas mais
Numa proporção lógica
Se não pensarmos nisso
E o que esperamos ver
Entre o mar e a neve
As montanhas e as luzinhas da cidade
Ou noutro cenário qualquer,
Composto,projectado,idealizado
para onde queremos realmente ir?
Ver barcos a partir
E ficar a vê-los seguir
Ou nadar com eles em águas paradas
Ainda não sabemos o que é ir.
(já foi escrito no principio de Dezembro)
Provavelmente andam moribundos por aí
Sabemos mais três coisas do que ontem
Esquecemos de muitas mais
Numa proporção lógica
Se não pensarmos nisso
E o que esperamos ver
Entre o mar e a neve
As montanhas e as luzinhas da cidade
Ou noutro cenário qualquer,
Composto,projectado,idealizado
para onde queremos realmente ir?
Ver barcos a partir
E ficar a vê-los seguir
Ou nadar com eles em águas paradas
Ainda não sabemos o que é ir.
(já foi escrito no principio de Dezembro)
terça-feira
sábado
Via-me passar todos os dias numa rotineira azafama.
Eu andava mas parecia que corria, ele estava sentado no banco de sempre com o mesmo jornal mas já com outras notícias.
Os nossos olhos haviam-se cruzado antes, de uma forma fugaz.
Uma tarde de primavera em que os dias já cresciam passei e reparei que ele não estava. Procurei com os olhos mais alem para ver se o via, mecanicamente fui sentar-me no banco em que costumava estar, como que à espera de algo.
Tirei um livro e fui folheando sem ler.
Apercebi-me de uma sombra, ergui a cabeça e era ele.
-por aqui menina?
-sim hoje tive tempo para parar.
-a si falta-lhe, a mim tempo não me falta.
-Hoje ainda não o tinha visto por ca.
-É verdade fui ao hospital.
-Espero que de visita…
-Nasceu a minha netinha Maria Leonor.
-bonito nome…
-Era o nome da minha mulher.
-Sente muito a sua falta?
-Todos os dias.
-Como soube que a amava?
-Oh menina isso não se pergunta…Sente-se.
-Mas sente-se o que?
-Sente-se falta
Eu andava mas parecia que corria, ele estava sentado no banco de sempre com o mesmo jornal mas já com outras notícias.
Os nossos olhos haviam-se cruzado antes, de uma forma fugaz.
Uma tarde de primavera em que os dias já cresciam passei e reparei que ele não estava. Procurei com os olhos mais alem para ver se o via, mecanicamente fui sentar-me no banco em que costumava estar, como que à espera de algo.
Tirei um livro e fui folheando sem ler.
Apercebi-me de uma sombra, ergui a cabeça e era ele.
-por aqui menina?
-sim hoje tive tempo para parar.
-a si falta-lhe, a mim tempo não me falta.
-Hoje ainda não o tinha visto por ca.
-É verdade fui ao hospital.
-Espero que de visita…
-Nasceu a minha netinha Maria Leonor.
-bonito nome…
-Era o nome da minha mulher.
-Sente muito a sua falta?
-Todos os dias.
-Como soube que a amava?
-Oh menina isso não se pergunta…Sente-se.
-Mas sente-se o que?
-Sente-se falta
terça-feira
É como um ranger da madeira quando andamos num verdadeiro soalho.
Não se sabe se é devido à idade, ao caruncho ou à humidade.
Sabe-se que está lá há muitos anos, conheceu antepassados, separou a zona de estar da de guardar rebanhos e resistiu à ditadura.
Ouviu histórias à lareira, iluminou-se por entre as frestas das pequenas janelas com cada romper da manhã, conheceu o casamento, os filhos, a viuvez, os netos, os bisnetos a velhice e a morte.
E permanece, pedra sobre pedra robusta, forte, mas rude, a precisar de arranjos no velho telhado unicamente feito de barrotes de madeira coberto de telha.
As teias de aranha cobrem grande parte dos cantos, formando véus translúcidos.
Abro os olhos e de repente deparo-me com a magia da eternidade.
Não se sabe se é devido à idade, ao caruncho ou à humidade.
Sabe-se que está lá há muitos anos, conheceu antepassados, separou a zona de estar da de guardar rebanhos e resistiu à ditadura.
Ouviu histórias à lareira, iluminou-se por entre as frestas das pequenas janelas com cada romper da manhã, conheceu o casamento, os filhos, a viuvez, os netos, os bisnetos a velhice e a morte.
E permanece, pedra sobre pedra robusta, forte, mas rude, a precisar de arranjos no velho telhado unicamente feito de barrotes de madeira coberto de telha.
As teias de aranha cobrem grande parte dos cantos, formando véus translúcidos.
Abro os olhos e de repente deparo-me com a magia da eternidade.
quinta-feira
Esqueceu-se do próprio nome.
A lua ia alta assim como o alinhamento das estrelas.
Apetecia estuda-las, quando olhava para elas.
A lua ia alta assim como o alinhamento das estrelas.
Apetecia estuda-las, quando olhava para elas.
Apetecia vê-las com outros olhos, com olhos de quem as vê como amantes.
Seria difícil projectar nelas sentimentos neste momento, porque não se sentia forte para tal.
Outrora apanhara uma rajada de sentimentos que o devastou, não estava preparado para ama-las como astrónomo.
Tinha de manter distância, só podia observa-las apenas, de longe, daqui tão perto.
Subiu um muro, ficou a manobra-las mecanicamente, como se fossem legos, fazia movimentos com as mãos como se da construção de um castelo se tratasse.
Impávido subiu para o muro vizinho, mais alto, mais íngreme.
Olhou-a como se a visse pela primeira vez, o que era mentira.
Tinha uma capacidade teatral para fingir.
E num só segundo conheceu o quão era inebriante era amar ao luar uma estrela.
Seria difícil projectar nelas sentimentos neste momento, porque não se sentia forte para tal.
Outrora apanhara uma rajada de sentimentos que o devastou, não estava preparado para ama-las como astrónomo.
Tinha de manter distância, só podia observa-las apenas, de longe, daqui tão perto.
Subiu um muro, ficou a manobra-las mecanicamente, como se fossem legos, fazia movimentos com as mãos como se da construção de um castelo se tratasse.
Impávido subiu para o muro vizinho, mais alto, mais íngreme.
Olhou-a como se a visse pela primeira vez, o que era mentira.
Tinha uma capacidade teatral para fingir.
E num só segundo conheceu o quão era inebriante era amar ao luar uma estrela.
terça-feira
O problema não é estar e não estar, o problema são as companhias. Acompanhas-me com um copo de vinho e deixas-me enganar pelo que sabe, não pelo que é. Não chego a perceber todo o enredo envolto porque só o saboreei já findado.
Não reparei se tinha algum prémio, não sou boa em ler rótulos, perco-me nas entrelinhas.
Só costumo ler letras maiores, aquelas de “menores importâncias”. Já todos sabemos que é assim, contudo insistimos. Fazemos da persistência conteúdo da alma. Não percebemos os porquês nem o como deveria ser, ou o se fosse assim, mas conhecemos os mas nas frases difíceis.
Somos comos as pedras que rolam até se desgastarem por completo e passarem a areia. Somos polidos até mais não nos nossos percursos e mesmo assim por vezes terminamos os mesmos, mas em areia.
Não reparei se tinha algum prémio, não sou boa em ler rótulos, perco-me nas entrelinhas.
Só costumo ler letras maiores, aquelas de “menores importâncias”. Já todos sabemos que é assim, contudo insistimos. Fazemos da persistência conteúdo da alma. Não percebemos os porquês nem o como deveria ser, ou o se fosse assim, mas conhecemos os mas nas frases difíceis.
Somos comos as pedras que rolam até se desgastarem por completo e passarem a areia. Somos polidos até mais não nos nossos percursos e mesmo assim por vezes terminamos os mesmos, mas em areia.
domingo
Tentei abrir a porta de casa com uma delas, tentando a sorte.
Ela entrou, rodou muito contra vontade, forcei-a a jeito, e lá abriu depois de muita insistência.
Não acreditei no que os meus olhos presenciaram.
Existirão chaves gémeas num inúmero de chaves que se produzem?
Ou será fruto do engano do chaveiro?
O que eu vi foi uma coincidência ou assisti a toda a razão da sua existência?
Continuei a coleccionar chaves até hoje.
Continuei a tentar a sorte.
Continuei a acreditar que existem chaves que foram feitas para abrir a mesma fechadura, abrindo-nos portas que conhecemos ao que nos levam, mas pensando anteriormente que só existia uma chave que nos levava a entrar num mundo outrora conhecido, mas que com o passar dos anos se tornou diferente.
Ela entrou, rodou muito contra vontade, forcei-a a jeito, e lá abriu depois de muita insistência.
Não acreditei no que os meus olhos presenciaram.
Existirão chaves gémeas num inúmero de chaves que se produzem?
Ou será fruto do engano do chaveiro?
O que eu vi foi uma coincidência ou assisti a toda a razão da sua existência?
Continuei a coleccionar chaves até hoje.
Continuei a tentar a sorte.
Continuei a acreditar que existem chaves que foram feitas para abrir a mesma fechadura, abrindo-nos portas que conhecemos ao que nos levam, mas pensando anteriormente que só existia uma chave que nos levava a entrar num mundo outrora conhecido, mas que com o passar dos anos se tornou diferente.
sexta-feira
Ora salto, ora fico
salto, fico salto,fico
salto, fico salto,fico
salto fico
salto fico
salto salto salto salto salto salto salto salto salto salto salto salto salto
fico fico fico fico fico
É assim que se sente quem está num trampolim.
Aleatoriamente ficamos todos um pouco assim
Um calafrio que nos puxa
Um sopro que nos empurra
E andamos nós ao som daquela canção
A fazer a vontade a algo que nos controla
Maldito vento
Julgando que é ele
Ou queremos pensar
Jogamos com as peças que nos dá
Para preencher o vazio
para enganar o tempo
antes que ele nos engane a nós
porque basta um momento para saber
de que lado vamos ficar no fim do mundo
É assim que se sente quem está num trampolim.
Aleatoriamente ficamos todos um pouco assim
Um calafrio que nos puxa
Um sopro que nos empurra
E andamos nós ao som daquela canção
A fazer a vontade a algo que nos controla
Maldito vento
Julgando que é ele
Ou queremos pensar
Jogamos com as peças que nos dá
Para preencher o vazio
para enganar o tempo
antes que ele nos engane a nós
porque basta um momento para saber
de que lado vamos ficar no fim do mundo
Alguém julgou
Que um sopro dava sorte
Na combinação dos números
Dos dados
Como se houvesse uma receita
Magica para …o sucesso?
Será?
Não sei que nome lhe queres chamar
A testa húmida dava indicações
Que bluff não era o seu forte
Sabia-lhe decifrar cada gesto
A inquietude das mãos
O olhar pestanejante
O sobrolho esquerdo ficava com tiques
Uma ruga formava-se por baixo do queixo
Que não era muito másculo, pouco proeminente
E envergonhado.
As pessoas não tinham nome
Apenas rostos que eu memorizava, estudava a pormenor
Para saber como eram, o que pensavam.
Nunca chegava a trocar mais de vinte palavras
O excesso pode matar,
Aos prudentes…
O segredo é falar sem falar,
fazer um discurso coerente mas sem significado.
Deixar a porta aberta para os curiosos virem buscar
respostas .
Montar armadilhas por trás de vidros espelhados.
Montar ilusões.
Têm aparência humana, falam, riem;
mas não falam nem riem de nada.
É um jogo de caça.
São caçadores implacáveis, racionais.
Que um sopro dava sorte
Na combinação dos números
Dos dados
Como se houvesse uma receita
Magica para …o sucesso?
Será?
Não sei que nome lhe queres chamar
A testa húmida dava indicações
Que bluff não era o seu forte
Sabia-lhe decifrar cada gesto
A inquietude das mãos
O olhar pestanejante
O sobrolho esquerdo ficava com tiques
Uma ruga formava-se por baixo do queixo
Que não era muito másculo, pouco proeminente
E envergonhado.
As pessoas não tinham nome
Apenas rostos que eu memorizava, estudava a pormenor
Para saber como eram, o que pensavam.
Nunca chegava a trocar mais de vinte palavras
O excesso pode matar,
Aos prudentes…
O segredo é falar sem falar,
fazer um discurso coerente mas sem significado.
Deixar a porta aberta para os curiosos virem buscar
respostas .
Montar armadilhas por trás de vidros espelhados.
Montar ilusões.
Têm aparência humana, falam, riem;
mas não falam nem riem de nada.
É um jogo de caça.
São caçadores implacáveis, racionais.
terça-feira
no que acreditar?
Estava a perder os sentidos.
Sentia-se pálido, com falta de ar. O chão fugia-lhe dos pés, parecia que estava de pernas para o ar, como quando era criança e fazia a cambalhota, tinha o mesmo nó no estômago, só que este está a durar mais do que 3 segundos.
Quatro, cinco, seis…dez, onze, doze…vinte…não aguentava mais, de repente ficou tudo branco, imaculado.
Levantou-se, sentiu-se estranho, pacífico, com vontade de pintar, coisa que já não fazia há muitos anos. Lembrar-se-ia de pegar nos pincéis?
Correu, correu muito, vasculhou todas as gavetas e só encontrou um tubo de aguarela, branco. Olhou a sua volta, todos os espaços estavam preenchidos por gigantescas telas brancas.
Começou a pintar, durante horas e horas, sem qualquer esboço, sem qualquer sinal de cansaço.
Gostava do que estava a fazer. Tinha amor pela pintura.
Orgulhou-se de ter pintado uma obra de arte aos seus olhos.
Acorda, tenta acordar, não vê ninguém.
Tem impressão que está num ambiente hospitalar.
Tenta gritar para ver se acordava. As palavras faltam-lhe, percebe que não consegue falar. Entra em pânico. Fecha os olhos inspira e expira. Tenta de novo. Não consegue. Decide levantar-se da cama, vai até ao corredor com aquelas batas ridículas que lhe deixam a parte de trás descoberta (que vergonha). Corre, procura alguém.
Vê uma rapariga bonita, estranhamente bonita a vir ao seu encontro.
Ela diz-lhe para ter calma, e segura-lhe na mão pedindo que a seguisse até ao quarto.
Ela volta a deita-lo, explica-lhe porque acordou assim, estava numa clínica de orientação profissional, por isso esteve a dormir aproximadamente um ano, era a única maneira de controlarem o seu inconsciente e perceberem para o que estava destinado.
De repente os olhos começam a ficar pesados a voz da enfermeira trémula e distorcida, não era mais aquela voz encantadora e suave.
Acorda com um enorme estrondo de um acidente na sua rua, vai à janela, o acidente deu-se mesmo em frente à sua varanda, vê os bombeiros a desencarcerarem as vitimas, vê uma jovem mulher que lhe é deveras familiar, lembra-se da enfermeira.
Sentia-se pálido, com falta de ar. O chão fugia-lhe dos pés, parecia que estava de pernas para o ar, como quando era criança e fazia a cambalhota, tinha o mesmo nó no estômago, só que este está a durar mais do que 3 segundos.
Quatro, cinco, seis…dez, onze, doze…vinte…não aguentava mais, de repente ficou tudo branco, imaculado.
Levantou-se, sentiu-se estranho, pacífico, com vontade de pintar, coisa que já não fazia há muitos anos. Lembrar-se-ia de pegar nos pincéis?
Correu, correu muito, vasculhou todas as gavetas e só encontrou um tubo de aguarela, branco. Olhou a sua volta, todos os espaços estavam preenchidos por gigantescas telas brancas.
Começou a pintar, durante horas e horas, sem qualquer esboço, sem qualquer sinal de cansaço.
Gostava do que estava a fazer. Tinha amor pela pintura.
Orgulhou-se de ter pintado uma obra de arte aos seus olhos.
Acorda, tenta acordar, não vê ninguém.
Tem impressão que está num ambiente hospitalar.
Tenta gritar para ver se acordava. As palavras faltam-lhe, percebe que não consegue falar. Entra em pânico. Fecha os olhos inspira e expira. Tenta de novo. Não consegue. Decide levantar-se da cama, vai até ao corredor com aquelas batas ridículas que lhe deixam a parte de trás descoberta (que vergonha). Corre, procura alguém.
Vê uma rapariga bonita, estranhamente bonita a vir ao seu encontro.
Ela diz-lhe para ter calma, e segura-lhe na mão pedindo que a seguisse até ao quarto.
Ela volta a deita-lo, explica-lhe porque acordou assim, estava numa clínica de orientação profissional, por isso esteve a dormir aproximadamente um ano, era a única maneira de controlarem o seu inconsciente e perceberem para o que estava destinado.
De repente os olhos começam a ficar pesados a voz da enfermeira trémula e distorcida, não era mais aquela voz encantadora e suave.
Acorda com um enorme estrondo de um acidente na sua rua, vai à janela, o acidente deu-se mesmo em frente à sua varanda, vê os bombeiros a desencarcerarem as vitimas, vê uma jovem mulher que lhe é deveras familiar, lembra-se da enfermeira.
Sonho ou realidade?
sábado
sem certezas
Estava ela deitada.
Ele diz-lhe para ter pensamentos felizes.
Ela diz-lhe que não sabe o que é a felicidade.
Ele ri-se ironicamente e ordena-lhe que os procure.
Ela nega.
Ele diz-lhe que não a pode ajudar se continuar a não colaborar.
Ela abre os olhos e arregala-os, diz-lhe que quem não esta a colaborar é ele, em tom de voz autoritária e já irritada.
Ele pede que se acalme.
Ela levanta-se da marquesa dirige-se à janela e confronta-o. Possui um tom sereno na voz e ao mesmo tempo tenso, explica-lhe que não guardou nenhum momento feliz porque ainda não os viveu, anseia por eles, diz-lhe que é nova de mais para ter tido momentos felizes. Explica-lhe que ainda não começou a viver, que não sabe o que são os sentimentos. Conhece a química quântica, a medicina aplicada, o desenho técnico, a psicologia clínica, domina cinco línguas, mas desconhece o aperto do coração, o suspiro da saudade, a magia do amor.
Deixa os 60 euros em cima da mesa e diz-lhe obrigado por ter tentado.
Sai descrente do consultório pois não encontrou o que procurava, nem com um especialista.
Ele diz-lhe para ter pensamentos felizes.
Ela diz-lhe que não sabe o que é a felicidade.
Ele ri-se ironicamente e ordena-lhe que os procure.
Ela nega.
Ele diz-lhe que não a pode ajudar se continuar a não colaborar.
Ela abre os olhos e arregala-os, diz-lhe que quem não esta a colaborar é ele, em tom de voz autoritária e já irritada.
Ele pede que se acalme.
Ela levanta-se da marquesa dirige-se à janela e confronta-o. Possui um tom sereno na voz e ao mesmo tempo tenso, explica-lhe que não guardou nenhum momento feliz porque ainda não os viveu, anseia por eles, diz-lhe que é nova de mais para ter tido momentos felizes. Explica-lhe que ainda não começou a viver, que não sabe o que são os sentimentos. Conhece a química quântica, a medicina aplicada, o desenho técnico, a psicologia clínica, domina cinco línguas, mas desconhece o aperto do coração, o suspiro da saudade, a magia do amor.
Deixa os 60 euros em cima da mesa e diz-lhe obrigado por ter tentado.
Sai descrente do consultório pois não encontrou o que procurava, nem com um especialista.
quarta-feira
menina das reacções
(Re)Vives um ano num dia, vives um dia num ano
É isso que te torna emotiva
É isso que te desperta
Não consegues controlar o quando e o porquê
Misturas o onde e o acontece
Exploras novas formas de sentir
Mas continuas a pensar naquilo.
Vais vivendo ou pensando que sim
Tentando encontrar aquilo
Buscando e rebuscando o que faz o coração bater
Conjugando cores e sabores
Palavras e omissões
Não deixas de olhar para o tecto
Como é teu costume
Suspiras fundo, tão fundo que te arrepias
Sentes cada pelo a eriçar
Passas a mão pelo braço esquerdo
Sorris porque sabias como ias reagir
Está estipulado.
Mas continuas a pensar porque não é tudo assim
terça-feira
fosse
Escondo-me nos sonhos abandonados em ruas cinzentas,
Encontro-me nos lugares perdidos pelo tempo.
Embrenho-me em lençóis antigos
Envio-me pelas fotografias a preto e branco
Enxugo-me de lágrimas piedosas.
Entristece-me a vida sonhadora...
Escorrego por entre lembranças de outrora
Escrevo ligações de memória.
Encarrego-me de verificar as cartas manchadas
Escravizadas pelo destino de amar.
Esvoaçaram os poemas pela tarde
Ecoaram-se os seus batimentos pelas ruas.
Esperançada, para que não chamassem o meu nome
Esperava não as ouvir mais chamarem por mim...
Escondia-me eu do que não queria.
Encontro-me, eu um dia
Embrenhada em sentimentos que não são os das cartas.
Envio as respostas negativas ao remetente.
Enxugo-me de alegria!
Entristecem-me os dias perdidos...
Escorrego por entre novas vidas
Escrevo novas linhas nos meus diários.
Encarrego-me de saber que sou uma nova pessoa,
Escravizada outrora por coisas que me aprisionaram.
Esvoaçam agora pedaços de mim em encontro da liberdade
Ecoam os meus risos de felicidade
Esperançada de novos rumos
Espero a felicidade, sim ela está prestes a chegar
Margarida
Encontro-me nos lugares perdidos pelo tempo.
Embrenho-me em lençóis antigos
Envio-me pelas fotografias a preto e branco
Enxugo-me de lágrimas piedosas.
Entristece-me a vida sonhadora...
Escorrego por entre lembranças de outrora
Escrevo ligações de memória.
Encarrego-me de verificar as cartas manchadas
Escravizadas pelo destino de amar.
Esvoaçaram os poemas pela tarde
Ecoaram-se os seus batimentos pelas ruas.
Esperançada, para que não chamassem o meu nome
Esperava não as ouvir mais chamarem por mim...
Escondia-me eu do que não queria.
Encontro-me, eu um dia
Embrenhada em sentimentos que não são os das cartas.
Envio as respostas negativas ao remetente.
Enxugo-me de alegria!
Entristecem-me os dias perdidos...
Escorrego por entre novas vidas
Escrevo novas linhas nos meus diários.
Encarrego-me de saber que sou uma nova pessoa,
Escravizada outrora por coisas que me aprisionaram.
Esvoaçam agora pedaços de mim em encontro da liberdade
Ecoam os meus risos de felicidade
Esperançada de novos rumos
Espero a felicidade, sim ela está prestes a chegar
Margarida
quinta-feira
Não preciso de medicamentos para ser feliz
Não preciso de argumentos para saber que estou certa
Não preciso de transportes para chegar onde quero
Não preciso de chamas para sentir fogo
Não preciso de olhar para ver
Não preciso de tocar para sentir
Não preciso de ter para dar valor
Não preciso de perder para ter saudades
Não preciso de ouvir para entender
Não preciso de espelhos para reflectir
Não preciso de vencer para me sentir vencedora
Não preciso de analgésicos para perder a dor
Preciso é de alguém que me preencha
Aquele a quem não entregamos a chave da nossa casa
Mas a do nosso coração
Margarida
Não preciso de argumentos para saber que estou certa
Não preciso de transportes para chegar onde quero
Não preciso de chamas para sentir fogo
Não preciso de olhar para ver
Não preciso de tocar para sentir
Não preciso de ter para dar valor
Não preciso de perder para ter saudades
Não preciso de ouvir para entender
Não preciso de espelhos para reflectir
Não preciso de vencer para me sentir vencedora
Não preciso de analgésicos para perder a dor
Preciso é de alguém que me preencha
Aquele a quem não entregamos a chave da nossa casa
Mas a do nosso coração
Margarida
sexta-feira
mudanças
Essa mulher quer mudar a posição das coisas.
Escolhe o sofá como primeiro objecto de ostentação, comprou-o quando o achava bonito, agora quer muda-lo, para lhe parecer melhor a seus olhos.
Muda-o de lugar, coloca-o contra a janela, parece que agora ficou melhor ali.
Não, continua tudo um caos.
Quer mudar o resto da sala.
Parece-lhe desconfortável como está.
Os músculos não descontraem em busca de uma constante mudança.
Muda e muda, coloca aqui e ali, desloca e desmonta.
Observa ao canto, encostada à lareira. Fica quieta à espera que algo se mexa e ocupe o devido lugar.
Como se as coisas não fossem objectos, como se os objectos não fossem estáticos.
Sabe o que as coisas valem, mas parece que não sabe.
Já não lhe resta muita força, só empenho mental.
Embrenha-se na sua imaginação , flutua nas projecções…
Projecta sonhos, concretiza realidades.
Se os objectos não fossem inanimados, talvez não se sentisse sozinha.
A solidão foi entrando pelas frestas, ocupando pequenos lugares, que se tornaram demasiado grandes e evidentes.
Essa mulher de aparência frágil e quebradiça, pele branca e imaculada, tem tudo e não tem nada.
Escolhe o sofá como primeiro objecto de ostentação, comprou-o quando o achava bonito, agora quer muda-lo, para lhe parecer melhor a seus olhos.
Muda-o de lugar, coloca-o contra a janela, parece que agora ficou melhor ali.
Não, continua tudo um caos.
Quer mudar o resto da sala.
Parece-lhe desconfortável como está.
Os músculos não descontraem em busca de uma constante mudança.
Muda e muda, coloca aqui e ali, desloca e desmonta.
Observa ao canto, encostada à lareira. Fica quieta à espera que algo se mexa e ocupe o devido lugar.
Como se as coisas não fossem objectos, como se os objectos não fossem estáticos.
Sabe o que as coisas valem, mas parece que não sabe.
Já não lhe resta muita força, só empenho mental.
Embrenha-se na sua imaginação , flutua nas projecções…
Projecta sonhos, concretiza realidades.
Se os objectos não fossem inanimados, talvez não se sentisse sozinha.
A solidão foi entrando pelas frestas, ocupando pequenos lugares, que se tornaram demasiado grandes e evidentes.
Essa mulher de aparência frágil e quebradiça, pele branca e imaculada, tem tudo e não tem nada.
Margarida
segunda-feira
Sínteses de cheiros,
resumos de apalpações,
Réstia de aspirina no fundo do copo
Batimentos e proporções
Variação de temperatura
Mentes obsoletas
Mensagens de ternura
Vestimentas pretas
Literatura abusada
Cortes de cabelo insólitos
Pele perfumada
Experiências com electrólitos
Choques de partículas
Crepúsculos de felicidade
Auroras acordadas
Rasgos de mediocridade
Borrachas apagadas
Lágrimas inconscientes
Melanomas inocentes
Absolvição de pacientes
Flores em sepulturas
Madrugadas de rezas
Gomas são doçuras
Magoas, magoas são apenas tristezas
Margarida
Subscrever:
Mensagens (Atom)
jogadores
ajudas
- a precisar... (1)
- Acordar? (2)
- adoro (17)
- all i need.. (10)
- aniversarios (5)
- Aspiraç (1)
- Bairro (1)
- Be mine (8)
- concertos (7)
- Confusões (5)
- definições (42)
- desafios (11)
- descobertas (8)
- devaneios (5)
- diálogos (14)
- Diário do calão (5)
- dúvidas (4)
- equações (4)
- fetiches (5)
- fofo como algodão doce (18)
- galhardete degradante-depressivo (8)
- Hoje (49)
- i will do a menage a trois with you (7)
- i will marry you (23)
- I wish i were... (4)
- I'm crazy about... (7)
- just my imagination... (2)
- Lições (13)
- Memorias dum Rostro (39)
- musica (46)
- NEM PENSEM... (3)
- no sofá ca de casa (1)
- o que seria possivel em sonhos (7)
- ode (23)
- Palavras (19)
- parvoices (30)
- pensamentos privados (5)
- pista do dia (49)
- pode ser que seja hoje (5)
- Tenho panca por (29)
- Um dia (2)
- Vícios (9)
- video musicalino (36)
outros jogos
-
-
-
+ o regresso torna-se mais rico.Há 5 anos
-
>> está aí alguém?Há 5 anos
-
podia ser euHá 7 anos
-
-
-
NON-SENSEHá 9 anos
-
