Ela era cão. Sem dúvida. E não odiava sê-lo... Aceitava as coisas assim. Eram diferentes e as diferenças permitiam que se completassem. Tinha olhos meigos não traiçoeiros, mas sempre foi calculista. Só funcionava em pleno em matilha, não conseguindo resolver as coisas sozinha. Apercebeu-se de que não só precisava dos seus semelhantes como também do gato. Seria predação? Instintivo?
A verdade é que o gato não gostou de tamanha dependencia que se criou à sua volta. Pior... Apercebeu-se que ela tentava que ele deixasse de ser gato. Era inconsciente e por isso perdoou-a. Mas teve de se cortar o mal pela raiz e não houve mais volta a dar.
O gato odeia que o apertem nem que seja só por carinho. É fácil sentir-se sufocar. O gato odeia planear... Tem medo de planos furados. O gato gosta de caçar... mas não de manter a presa consigo por muito tempo. O gato gosta da noite. O gato gosta do conforto e do quente de uma casa... não liga tanto a quem nela habita... o gato não é traiçoeiro... mas sim traiçoeiramente inteligente...
Ela, ainda cão, tentava agora ser um pouco mais gato. Porque não tirar o que há de bom nos dois?